Como nesse feriado (Acao de Gracas) eu andei muito de onibus, vou fazer um post dedicado a estes, que surpreendemente, fedem muito mais aqui do que os ai, do Brasil. Juro! Ave Maria! Podem duvidar, eu nao me importo. Tenho dentro de mim viva a lembraca do cheiro de banheiro publico que o 40 abriga no interior de sua dependencia movel.
Considerei este fato de GRANDE curiosidade, vez que estamos no primeiro mundo. Mas parece que nem tudo que reluz e ouro, e aqui na America a galera mais baixa renda acaba sendo relutante em relaxao a habitos de higiene (frio?). Pelo menos o suficiente para empestear o onibus de um futum inigualavel. Chega a dar vontadinha de vomitinho.
Saudades do Brasil, onde faz um calor do caralho e por isso o mulao todo acaba tomando pelo menos um banho por dia antes de encarar o busao.
Alem do constante cheiro de ureia com sabonete de quinta, voce tambem pode encontrar no onibus figurinhas super interessantes. Invariavelmente serao:
a. mexicanos baixa renda
b. americanos baixa renda (white trash)
c. negros baixa renda (gueto-hip-hop-nigga-gonna-kill-ya-mothefucka)
c. loucos em geral
Eh entao que a inhaca composta pelas mais diversas origens possiveis vem a tona em uma grande e densa nuvem de fedor constante dentro do onibus. Vez ou outra o cheiro se intensifica. Voce quer vomitar. Voce quer enfiar bolinhas de gude em suas narinas. Voce passa mal. Fica enjoado. Pensa em quebrar a janela. Pensa em desistir do seu destino. Pensa em desistir da vida... voce tenta respirar pela boca mas tambem fica com nojo. Tenta enfiar a propria cara dentro da camisa como fazia na epoca de escola quando o "Gean" peidava. Mas nao pega bem, e alem disso, a inhaca do primeiro mundo ultrapassa as barreiras do algodao. Voce nao tem para onde fugir.
Uma vez fedia tanto que virei meu rosto o maximo possivel contra a janela (que e fechada). Pensei que estaria adiando o inevitavel encontro do meu nariz com a nevoa de fedor da Sra. Burrito Molhado (em mencao honrosa ao seu cheiro) mas me enganei. Quando comecei a respirar com mais facilidade, recuperando meu folego atraves daquele milimetro cubico onde o ar ainda nao estava viciado, fui surpreendida com um bafo matinal velho simplesmente
absurdo, vindo do homem que estava sentado atras de mim. O homem bocejou durante interminaveis 15 segundos e eu achei que estava vendo a luz. Cheguei a ouvir as trombetas dos anjos me chamando para a eternidade. "Morri!", pensei. Mas depois do choque - fui pega de surpresa, estava respirando fundo - abri os olhos e tive a pessima impressao de que continuava viva. A evidente falta de educacao nao permitiu que o astuto senhor colocasse as maos na frente do bueir... ops, da boca antes de bocejar.
Para nao deixarmos de mencionar a sessao de bizarrices, houve tambem a ocasiao da
mulher-javali. Obviamente fedorenta e mal vestida, carregava um dos rostos mais bizarros e deformados que ja vi em toda minha vida. A combinacao visual da
mulher-javali + o cheiro de banheiro publico nao me deixaram duvidas de que aquela viagem de onibus fora a mais nauseante de toda a minha vida. Se eu fechasse os olhos para nao olhar seus dentes pendurados na gengiva enrrugada o cheiro se intensificava. Se eu tampasse o nariz provavelmente seria expulsa do coletivo a base de porrada por alguns dos "sangue-baum" que sentam la tras e usam "fuck" no meio de todas as palavras que pronunciam, inclusive "fuck": Fuck you, you fu
fuckcking mothafucker". Nao que seja perigoso andar de onibus. Isso eu nao acho mesmo. Mas tampar o nariz seria ofensivo demais, ao passo que eu estaria dando claros indicios de preconceito para com o "tempero popular". Achei arriscado.
Tentei conviver com essa sessao de tortura sensorial durante longos 120 minutos. Quando a viagem acabou eu queria entrar numa banheira de alcool e desinfetar do futum de americano porco impregnado em minhas entranhas. Aquel ar abafado, viciado dentro do minusculo onibus contaminou cada poro do meu nariz. Senti nojo diante de pavorosa experiencia. De que adianta poder ouvir meu iPod sem ser atacada se se quer consigo respirar? Se eu morrer de fedor nao vou conseguir ouvir nada mesmo.
Na boa? Prefiro pegar o trem na Central, o metro na Pavuna ou ainda o 634 pra Bonsucesso do que passar por aquilo de novo.